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25 de outubro de 2014

Garoto Zigue-Zague, de David Grossman

Autor: David Grossman
Páginas: 424
Ano: 2014
Editora: Companhia das Letras

SINOPSE: A temática da infância é cara a David Grossman, que escreveu livros como Ver: amor e Duelo. Garoto zigue-zague é um daqueles grandes romances que, embora tematizem a infância e sejam narrados pelo olhar de um personagem jovem, são capazes de conquistar qualquer leitor adulto. Pouco antes de completar treze anos e fazer seu bar mitzvah, Nonny Feierberg — mais conhecido como Nono — embarca em Jerusalém num trem para Haifa, onde deverá encontrar o tio. A princípio, a viagem parece um presente de grego planejado por seu pai, detetive e maior herói de Nono, e Gabi, secretária do Departamento de Investigações Especiais que faz as vezes da mãe que ele perdeu quando criança. Mas Nono nunca chegará de fato ao seu destino. Logo que o trem parte, o garoto embarca numa aventura fantástica na companhia de um sujeito suspeito, mas encantador: Felix Glick. Ao seu lado, Nono conhecerá a atriz Lola Ciperola e passará por experiências mais ou menos terríveis que o ajudarão a compreender melhor sua própria identidade, as fronteiras nem sempre evidentes entre o bem e o mal e as dificuldades de se tornar uma pessoa adulta. 
“‘(...)Sim! Talvez nem todo mundo se encaixe exatamente nessa estrutura escolar quadrada! Pois há garotos redondos, minha senhora, e há garotos gordinhos, e há garotos com formato de, digamos, triângulo, por que não?, e há (...) garotos zigue-zague!’” — página 123.
Talvez esta seja uma das resenhas que eu estou mais inseguro em escrever: quando você gosta tanto de um livro ao ponto de ter medo de não transmitir o quão bom ele é através de uma resenha.  Garoto Zigue-Zague é simplesmente perfeito! 

Nesse romance, David Grossman narra as aventuras de Nono, que sai em uma viagem de trem para descobrir mais sobre si mesmo e sobre o seu passado. A narrativa do autor é tão gostosa de se ler, tão especial e única, que é difícil largar o livro e não se apaixonar por ele. Durante a narrativa o leitor fica atônico para saber o que vai acontecer em seguida e como vai acabar toda a história, mas ao mesmo tempo que essa sede acontece, o desejo que o livro não acabe também dá as caras e você fica naquele conflito interno de querer ler e não querer que a obra acabe.

A narrativa é feita pelos olhos de Nono, um adolescente de 13 anos pra lá de notável, autêntico e singular. Ele é tão bem construído que me surpreende como o autor conseguiu ir tão a fundo na cabeça de um menino e transcrever seus atos e pensamentos. Aliás, este é um ponto fortíssimo do livro: os pensamentos, devaneios e reflexões do menino Nono sobre o mundo ao seu redor. Tudo é carregado por um lirismo, extraordinário por sinal, que falam sobre reconhecimento e conquistas pessoais sem deixar de ter aquela inocência infantil, recheados de uma sutileza sem igual – e sem exageros! A narrativa é realmente fantástica e Grossman consegue carregar sem esforços qualquer leitor para essa viagem surpreendente, mesmo aquele mais relutante em iniciar essa jornada.

Claro que o romance não gira em torno apenas de Nono. Além dele, todos os outros personagens são muito bem construídos e caracterizados: cada qual tem sua particularidade, sua peculiaridade e seu papel certo na história. Entretanto, quem se sobressai realmente e ganha destaque é o garoto. Seu jeito é tão especial que, ao mesmo tempo que tem apenas 13 anos parece que já é um adulto; ele consegue ser travesso, ousado e infantil ao mesmo tempo; como disse anteriormente, pra lá de notável. Um exemplo do que estou falando é perceptível no trecho em que Nono vai à praia: enquanto faz tal coisa (não vou dizer o que para não soltar spoiler) ele parece um adulto, mas o modo como faz e reflete sobre aquilo mostra que ele é apenas um garoto espoleta se divertindo...

Garoto zigue-zague realmente me conquistou. Sabe, às vezes um livro para dar certo não precisa de muita coisa, e neste caso a simplicidade construída em torno da história é de conquistar qualquer um: forte, marcante e riquíssima. Um livro que deveria ser lido por todos. 

Para apreciadores de filmes, atenção: o livro foi adaptado em 2012 para as telas! Dirigido por Vincent Bal, diretor belga, a adaptação ganhou três prêmios em festivais de filme lá fora -Canadá, Estônia e Finlândia- e ainda foi indicado para mais duas categorias, mas acabou não vencendo. Ainda não assisti ao filme, mas pelo trailer parece ser divertido.
“‘(...)Tome cuidado. A sua vida vai ser difícil se for tão bom assim. Tome cuidado com as pessoas, elas são más. As pessoas são como lobos.’” — página 209.