Autora: Anouk Markovits
Páginas: 264
Ano: 2014
Editora: Companhia das Letras
SINOPSE: Na Transilvânia, em 1939, o pequeno Josef Liechtenstein presencia o assassinato de sua família pela Guarda de Ferro Romena e é salvo por uma empregada gentia, que o cria como se fosse seu filho. Passados mais cinco anos, Josef salva Mila quando os pais da menina são mortos, e a ajuda a chegar à casa de Zalman Stern, um líder da comunidade Satmar que a partir de então a cria como irmã de sua filha mais velha, Atara. À medida que as duas amadurecem, a fé de Mila se intensifica, ao passo que sua irmã descobre um mundo de livros e aprendizagem que não consegue ignorar. Com a ascensão do comunismo na Europa Central, a família muda-se para Paris, onde Zalman tenta criar seus filhos, mantendo-os reclusos da cidade. As escolhas acabam levando as irmãs para caminhos opostos. Partindo da zona rural da Europa Central pouco antes da Segunda Guerra, passando por Paris e chegando a Williamsburg, no Brooklyn dos dias de hoje, Eu sou proibida dá vida a quatro gerações de uma família chassídica. Uma trama aliciante e arrebatadora que revela o que acontece quando amor resoluto, fé inquebrantável e séculos de tradição entram em conflito.
Vou contar pra vocês: terminar o livro para mim foi difícil.
Não por ele ser ruim, que de fato não é, mas o problema é que é um livro
bastante pesado de ler, no sentido de bastante informação nova, de coisas que não estou acostumado. Cogitei abandoná-lo, mas fui firme, persisti na
leitura e de certa forma não me arrependo.
Em Eu sou proibida temos uma narrativa bastante densa que conta a história,
principalmente, de Mila, uma órfã em
que vai morar na casa de um líder chassídico, Zalman Stern, e que é criada como
se fosse a irmã legítima de Atara,
filha de Zalman e sua esposa Hannah. Então, a família se mudam para a França, e
o rumo que a história e as decisões que os personagens tomam vez ou outra são
inacreditáveis e surpreendentes, dentro de uma cultura totalmente distinta da
qual estamos acostumados. A impressão que tive é de que a autora passou para o
papel a dura realidade de algumas moças judias, que não querem seguir essa
rigidez da religião, e sim seguir em frente com a vida bem como pretendem
seguir, como querem, serem livres. O
livro mostra que “o certo seria a mulher ficar em casa limpando e aprendendo
domesticidade, enquanto o homem aprenderia toda a Torá e basearia todos seus
estudos e pesquisas sobre Isso.” Mas nem sempre é o que acontece, e quando não
acontece dessa forma, Yemach Shemeah –
Que seu nome seja apagado, ou seja, a mulher passa a ser vista de uma forma diferente, seu nome torna-se “proibido” e ela é “excluída”.
“Ela adorava sentir-se como um mero floco naquela imensidão. Os sinos tocaram a hora, então a hora encheu-se de silêncio e ela se encheu de saudade; deveria Paris ser uma mera estação de passagem em suas perambulações? Se Paris tinha um lar em seu coração, não poderia ela ter um lar em Paris?” — página 89.
A narrativa de Markovits
é sobre uma história dura, triste e melancólica, baseada
na vida da própria autora. No começo fiquei meio perdido com tantos termos novos, e por
isso a cogitação em quase abandonar; parecia que eu lia, lia, lia e não saia do
lugar. De vez em quando eu tinha que ler duas, três vezes o mesmo trecho para
conseguir assimilar a ideia que a autora gostaria de passar. Mas isso foram as
primeiras 80 páginas, mais ou menos. Depois disso, consegui me acostumar, de
certa forma, com as novas palavras e a narrativa fluiu.
Não tenho como reclamar da edição da Cia, todos os livros da
editora são muito bem traduzidos e revisados. No final deste livro há um
glossário, para ajudar a entender as palavras em hebraico e iídiche. Não sei se
eu li o livro em maus tempos ou o
livro não satisfez minhas expectativas ou ainda eu não tive certa maturidade
para lê-lo. Mas já vou dizendo: não são todos que vão gostar desta obra – SIM!
O livro é uma obra única em que a autora pesa dois lados em uma balança: o que
é mais importante, seguir uma religião à risca e satisfazer os costumes para a
família não ser mau vista diante à comunidade ou ser livre para fazer suas
próprias escolhas e almejar a felicidade? É um livro a ser pensado sobre as
escolhas a serem tomadas, ainda mais em uma religião de extrema rigidez que o
judaísmo ortodoxo é.
Sabem de uma coisa? Eu sou probida pode enganar muita
gente. Pela capa e título, muitos se deixam levar por parecer um livro hot.
Entretanto, de hot não tem nada. A história é de certa forma dolorosa, rica
e silenciosa do seu modo, muito bem contada de uma cultura totalmente diferente, enriquecendo nosso conhecimento de uma forma bela e
ferrenha.


