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19 de novembro de 2013

Cadê você, Bernadette?, de Maria Semple

Essa resenha foi escrita para o blog No Universo da Literatura, onde sou colaborador.

Número de páginas: 376
Editora: Companhia das Letras

A família Branch não é o que podemos chamar de modelo para a sociedade: o pai, Elgin, é um gênio da programação que trabalha na Microsoft e não tem tempo de cuidar da casa. A mãe, Bernadette, é uma mulher misteriosa, com muitas manias, que já não aguenta mais a vida em Seattle. E tem Bee, a filha, que é a aluna mais inteligente da escola Galer Street e está prestes a se formar do ensino fundamental.

Quando Bernadette e Elgin prometem à Bee um presente especial de formatura por sempre ter tirado notas excelentes, não imaginariam (ok, com Bee não dá para se prever muita coisa) que ela pediria uma viagem à Antártida. SIM, À ANTÁRTIDA!!!

Agora, Bernadette, que faz qualquer coisa para não ter que sair de casa, vai ter que dar um jeito de não viajar. Com medo de encarar o navio, convívio social e a temida passagem de Drake, a excêntrica mãe de Bee toma uma atitude séria: ela desaparece. Agora Bee vai fazer de tudo para encontrar Bernadette, mas antes disso talvez ela precise conhecer melhor a mulher que sempre amou tanto.

Despretensão. Essa é a palavra que descreve muito o começo de Cadê você, Bernadette?. Mas não se iluda, o livro é cheio de surpresas que vão fazer você se apaixonar pela brilhante história criada por Maria s2 Semple. 

Com várias trocas de e-mails, bilhetes e recados corriqueiros entre personagens no início da história, conhecemos um pouco mais de cada um, seja pela visão deles próprios ou de terceiros, o que faz também com que enxerguemos diferentes lados da mesma pessoa.

Maria Semple conseguiu em sua narrativa conquistar o leitor aos poucos. A história toda vai te prendendo de mansinho, te ganhando aos poucos, e quando você se dá conta, o livro terminou e cai a ficha da grandiosidade do que acaba de ser lido. A autora possui um charme realista para descrever cenas e personagens que poucos conseguem, eu senti, nas palavras da autora, um amor verdadeiro entre mãe e filha, apesar de todos os defeitos de Bernadette, consegui sentir o quanto Bee era importante para ela, e mais ainda, o quanto Bernadette era importante para Bee. 

E se no começo da narrativa existiam personagens caricatos, a autora dá um jeito de sacolejar a história e tornar tudo e todos muito imprevisíveis. E aí entramos em outra característica forte de Cadê você, Bernadette?: a imprevisibilidade. Sabe quando você se sente totalmente à deriva, sem saber para onde a história vai, sem saber como tudo aquilo vai se resolver e aí vem a genialidade de Semple e dá um rumo inesperado e ao mesmo tempo fascinante para a trama e te faz ficar boquiaberto?!

Bernadette é uma personagem autêntica. Reservada, misteriosa e excêntrica, ela é dona de uma personalidade forte, do tipo que não está nem aí para o que os outros pensam dela. Além disso, a autora usa um contraste muito bacana entre as mães da escola onde Bee estudava e Bernadette, enquanto as outras queriam parecer perfeitas, tenho uma vida ótima, obrigada, a matriarca da família Branch sabia que era imperfeita, se aceitava assim e não tentava passar algo que ela não era, esse com certeza é um dos pontos mais altos da história para mim.

Já Bee é doce, com sua inocência e sua inteligência é fácil se apegar à personagem. No começo eu podia jurar que pelos diálogos na história ela tinha uns 9, 10 anos, depois que eu percebi que ela tinha 15 (!!!). O fascinante nessa personagem é que apesar de tudo o que acontece em sua vida, ela não perde a esperança, o desejo de saber onde a mãe está e entender tudo. Apaixonante!

E além de toda essa genialidade, há mais um elemento que torna a obra ainda mais atraente e chamativa: o design. A capa é de uma riqueza sem tamanho, além de ter uma diagramação excelente e folhas amareladas. Os e-mails e recados que mencionei no começo desta resenha estão por toda a história, o que deixa a leitura ainda mais dinâmica e rápida. Só tenho que dar os mais sinceros parabéns à Companhia das Letras pelo lindo material que eles proporcionaram aos leitores, ficou incrível!

Uma história imprevisível e ousada sobre relações familiares e a imperfeição humana, Cadê você, Bernadette? é uma obra inovadora que ganhou meu coração por tudo o que o livro representa. Obrigado, Maria Semple, foi inesquecível.


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