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14 de fevereiro de 2013

ENTREVISTA: Ricardo Ragazzo

Olá galera, como vocês já devem ter visto, recentemente eu li 72 Horas para Morrer, do autor Ricardo Ragazzo, lançado pela editora Novo Século em 2011.
Troquei alguns e-mails com o autor, parabenizando-o, e me surgiu a ideia de fazer uma entrevista com ele, e na hora ele topou!
Eu achei as respostas dele sensacionais, e espero que vocês gostem. Vamos lá?


Como surgiu a ideia de escrever 72 Horas para Morrer?

Como a maioria das minhas ideias para livros, dirigindo. Eu ando 40 km para o trabalho todos os dias e quando tive a ideia do final do "72 horas para morrer" parei no acostamento da estrada e escrevi em um caderninho que carrego no carro. Depois, modulei toda a história em função do final. É assim que funciona comigo na maioria das vezes. O final chega primeiro, o resto vem depois, quando a trama já me conquistou.

Quanto tempo demorou para você finalizar o livro? Teve que conciliar com trabalho?

Cinco meses para terminar o livro, depois mais dois para fazer revisões e ajustes. Tive que conciliar sim. Muitas das cenas do 72 HPM (assim como essa entrevista agora) foram escritas na hora do almoço ou entre reuniões.

Quem foram suas inspirações na criação dos personagens?

No caso do Júlio Fontana, o temperamento dele tem muito do Jack Bauer. Na minha visão, a trama pedia um protagonista esquentado e que metesse os pés pelas mãos em determinados momentos. Gosto muito da figura do anti herói. Sou fã de caras como Chuck Palahniuk que estão longe de usar arquétipos convencionais para seus personagens principais. Tentei fazer isso com Júlio. Criar um pouco da figura do anti herói.

Como foi ver o livro que você escreveu nas prateleiras de uma livraria?

É uma sensação muito boa, ainda mais quando seu livro está ao lado de caras que você lê e admira há anos. Mas, para mim, a maior emoção mesmo é encontrar pessoas em lugares comuns com seu livro na mão. Metrô, praia, avião. Já vi algumas vezes essa cena e isso mostra que seu livro não só chegou às livrarias, mas melhor de tudo, saiu das livrarias.

O livro sofreu muitas mudanças na edição?

Foram poucas as mudanças na edição, a principal delas foi a troca de nomes para o português. Minha trama não se passa em um local definido, é uma cidade imaginária, e os nomes estavam em inglês. Julio Fontana, por exemplo, era John Foster. A cidade de Novo Salto chamava-se New Harbor. Nomes como Laura e Daniel que funcionam nos dois idiomas permaneceram os mesmos. Mas esse assunto é bastante interessante (e delicado). Eu, pessoalmente, vejo com bons olhos a interferência das editoras nas obras, vez que o objetivo delas sempre é tornar a obra o mais comercial possível. Editora e autor tem interesses idênticos e a parceria deve funcionar de forma harmoniosa. Acho que o autor deve sim defender sua história, mas sempre com fatos claros, deixando de lado o apego à obra. Como eu sempre brinco "Não vejo o livro como meu filho, pois jamais venderia um filho meu". É um brincadeira, um exagero, mas a conotação é de que precisamos ser mais profissionais e ver a literatura também como negócio, não apenas como arte.

Como você lida com as críticas?

Quem me conhece sabe que sou polêmico. Por isso, o meu livro tem o final que tem. Críticas podem ser um inferno na vida de qualquer um que expõe publicamente seu trabalho se essa pessoa não tiver um mínimo de autoestima e segurança no que faz. Uma vez Mario de Andrade respondeu a carta de um poeta iniciante, que dizia ter vergonha de mostrar aos outros o que escrevia, com a seguinte frase: "Quem se mostra é por vaidade; quem não se mostra, também é por vaidade". Ou seja, somos movidos pelo que os outros pensam sobre nós. Alguns mais, outros menos. Portanto, não há como negar que uma crítica veemente ao nosso trabalho machuca, mas ela nunca irá derrubar quem realmente acredita em si. Pessoas pensam diferente, portanto têm opiniões diferentes. Simples assim. Nelson Rodrigues disse "Toda a unanimidade é burra", eu vou me permitir modificar um pouco isso para "Toda a unanimidade é falsa". Em um mundo tão diferente, não há como todos pensarem da mesma forma. Mas tenho uma regrinha simples que me ajuda bastante: Quando uma crítica muito ácida aparece, eu vou averiguar se a pessoa que criticou, elogia livros que tenha gostado com o mesmo envolvimento emocional. Se ela o faz, eu respeito sua opinião. Se ela não costuma elogiar com a mesma veemência com a qual critica, passo uma borracha e não perco nem mais um minuto com aquilo. A vida é muito curta para ser perdida com pessoas amarguradas e destrutivas. E isso vale para qualquer área da nossa vida.

Desde pequeno, você sempre gostou de ler?

Gostei. Depois, aos 12, 13 anos a escola começou a me jogar os clássicos nacionais goela abaixo e perdi o interesse pela leitura. Recuperei quando estava na faculdade. Houve um hiato em que vivi sem livros ao meu lado. Dá para acreditar? Acho os clássicos brasileiros (alguns deles) fabulosos (meu preferido é Memórias Póstumas de Brás Cubas que eu acho genial), mas nosso sistema de ensino, na minha opinião, nos apresenta essas obras em um momento errado da nossa formação. Vivemos em um mundo onde a linguagem vive em constante estado de transformação, e acredito que primeiro temos que aprender a falar a linguagem dos jovens, para depois apresentá-los à nossa, afinal, hoje vivemos no mundo deles.

Que livro você está lendo no momento?

"Suicidas" do Raphael Montes e acabei de terminar "I Hunt Killers" do Barry Liga.

Vem livro novo por aí?

Opa! Acabei de entregar agora em fevereiro meu novo livro para a editora. A ideia é lançar ainda em 2013. A temática é de realismo fantástico e, em breve, solto uma sinopse para a galera. Além disso, já comecei meu terceiro livro que estou escrevendo em companhia do autor Thiago Ururahy. A história desse livro é interessante, pois passamos uma madrugada trabalhando na história para poder apresentá-la em um curso que estávamos fazendo de estrutura narrativa e achamos que ficou tão legal que decidimos nem apresentá-la. Agora que nós dois terminamos o livro solo em que trabalhávamos, vamos unir forças para dar vida à essa história.

BATE BOLA:

Um livro: O Senhor dos Anéis.
Um sonho: Viver da Literatura.
Um autor: Stephen THE King.
Uma música: Breaking All Illusions, Dream Theater (Para escrever eu gosto muito de "The Mighty Rio Grande" da banda This Will Destroy You).
Um filme: Um Sonho de Liberdade.
Um lugar: San Francisco.
Me inspiro em: Meus filhos dormindo. Não há nada que me inspire mais que isso.
Odeio quando: Não consigo deixar de odiar alguma coisa.
72 Horas para Morrer é: Um pé no peito!

Um recado para os leitores do Jantando Livros.

Continuem jantando livros. Eles não engordam, e nunca dão má digestão.

Muito obrigado pela entrevista, Ricardo. Te desejo muito sucesso! Valeu!

Eu que agradeço, Gustavo. E para quem quiser manter contato comigo basta me seguir no twitter @ricardoragazzo ou na minha página de autor do facebook (onde sempre ocorrem promoções de livros) www.facebook.com/escritorragazzo. E como eu gosto de finalizar sempre minhas conversas: Um Abrazzo!

14 comentários:

  1. Adoro entrevistas com autores nacionais. Ainda não li o livro do Ricardo, apesar de ter visto muitas críticas positivas, mas ele me ganhou assim que vi ali Senhor dos Anéis ser citado rsrs

    Bjs,
    Kel
    www.itcultura.com.br

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    1. O Ricardo é muito gente boa, Kel.
      Leia mesmo 72 Horas para Morrer, é de tirar o fôlego! hahahahaha
      Beijos.

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  2. Adorei a entrevista. Ricardo é sensacional, e adorei o recado que ele deixou para os leitores do Jantando Livros.


    http://paginasnaestante.blogspot.com.br/
    @pginasnaestante

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    1. Muito bom, né Alyne? Adorei entrevistá-lo.
      Beijos.

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  3. Oi Gustavo, adorei a entrevista. Adoro entrevistar os autores dos livros que leio. Já entrevistei a Bruna Camporezi e estava com as perguntas da entrevista da Camila Dornas pronta, mas adorei algumas perguntas que vc fez e vou me inspirar nelas. Não se preocupe que darei os devidos créditos viu.. hehe
    Ótima iniciativa.
    Bjokas, Mi

    www.recantodami.com

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    1. Muito bom ler isso, Mirelle! Fique à vontade! :D
      Muito obrigado, beijão.

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  4. Olá, Gustavo!

    Que excelente entrevista! Eu ainda não li o livro do Ricardo, mas fiquei encantada com suas palavras. A maneira como ele se posiciona perante as críticas é formidável. É muito difícil encontrarmos autores maduros como tal. O que mais vemos por aí são pessoas dando chiliques diante de críticas negativas referentes ao seu trabalho.
    Gostei muito de conhecer um pouco mais sobre o autor.
    Parabéns pela bela entrevista!

    Zilda
    http://www.cacholaliteraria.com.br

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    1. Eu também adorei as respostas dele, Zilda.
      Muito obrigado, mesmo!
      Beijos.

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  5. Olá, Gus!
    Para começo de conversa devo lhe parabenizar pela escolha das perguntas, que sem sombra de dúvida foram geniais. O autor interagiu muito bem com você, o que é um pouco difícil quanto trata-se de entrevistas. Em todas as respostas do Ricardo pude perceber um entusiasmo incrível!

    72 Horas para Morrer parece-me ser uma obra muito bem estruturada, ele possui características que eu prezo muito em um autor: Coragem e atitude.
    Achei interessante demais quando ele comentou que a ideia para o livro surgiu do fim, hein? haha. Ele é um dos poucos autores que abordaram esta ideia, é muito curioso você começar um livro baseado no seu final, isso é genial!

    Estou abismado com o Ricardo, ele deve ser muito bom e depois de ler esta entrevista o meu desejo pelo livro só aumentou, nossa!

    Um abraço, http://umleitoramais.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigado, Léo!
      Eu achei as respostas dele geniais, também.
      Corra ler o livro \o/
      Abraços.

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  6. oie Gustavo
    amei o blog, já estou seguindo.
    Que bacana a entrevista, perguntas pertinentes e matando a minha curiosidade sobre o autor, cujo livro sou louca para ler.
    Inspiração para um enredo dirigindo foi nova pra mim rs isso que eu chamo de inspiração.
    Bjs

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    1. Oi Jacqueline, muito obrigado!
      Também achei muito bacana essa inspiração rs.
      Beijos.

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  7. Adorei a entrevista...
    conheci o Ricardo através do facebook dele e até agora só tenho mais vontade de ler seu livro...

    beijos
    Ida
    http://livrosumvicio.blogspot.com.br

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    1. Obrigado, Ida!
      Quando puder, leia o livro *-*
      Beijos.

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