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11 de novembro de 2014

Mentirosos, de E. Lockhart

Autora: E. Lockhart
Páginas: 272
Ano: 2014
Editora: Seguinte

SINOPSE: Os Sinclair são uma família rica e renomada, que se recusa a admitir que está em decadência e se agarra a todo custo às tradições. Assim, todo ano o patriarca, suas três filhas e seus respectivos filhos passam as férias de verão numa ilha particular. Cadence – neta primogênita e principal herdeira –, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat são inseparáveis desde pequenos, e juntos formam um grupo chamado Mentirosos. Cadence admira Gat por suas convicções políticas e, conforme os anos passam, a amizade com aquele garoto intenso evolui para algo mais. 
Mas tudo desmorona durante o verão de seus quinze anos, quando Cadence sofre um estranho acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, depressão, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos. Toda a família a trata com extremo cuidado e se recusa a dar mais detalhes sobre o ocorrido... até que Cadence finalmente volta à ilha para juntar as lembranças do que realmente aconteceu.

Ao terminar de ler a última página deste livro tive duas reações: a primeira foi abraçar a obra e ninar o livro entre meus braços, meio depressivo, sem sentido de viver. Após esse choque que demorou alguns minutos a segunda coisa que fiz foi procurar as pessoas da minha lista de contatos do celular que eu sabia que já tinham tido a mesma experiência que eu em Mentirosos para poder desabafar e botar pra fora tudo aquilo que havia achado da narrativa. Depois de dois longos desabafos estava mais calmo e então pude raciocinar com mais clareza: E. Lockhart é uma das autoras mais brilhantes que já tive a oportunidade de conhecer.

Jamais uma simples leitura, uma experiência única. Rápida, direta e no ponto, a autora traça sua história escolhendo impecavelmente cada palavra, frase, capítulo e a junção de tudo isso se transforma em uma trama diferente, exclusiva, surpreendente, incomparável. Inacreditável. Mentirosos foi uma das experiências mais angustiantes que já acompanhei e pelo olhar de Cadence, a protagonista, a sensação era de estar em queda livre, esperando por algo mais que eu tinha noção que viria, só não imaginava que fosse ser tão... TÃO

Os personagens, diálogos e as cenas, todos extraordinários, enganam muito durante a experiência e eu passei a não confiar nem em mim mesmo enquanto lia. O modo como Lockhart usa artifícios para enganar o leitor na trama é incrível, ela te faz de marionete e você é levado a vários caminhos, sem saber o que esperar. E quando você finalmente chega em algum lugar, é chocante. No mínimo. 

E o final, ah, esse final. Revoltante. Agoniante. Paralisante. Majestoso. A obra terminou e levou todo meu ar. Eu não sabia o que fazer, como reagir, só tinha a noção que nunca havia tido essa experiência. Passei por vários finais arrebatadores, mas nunca como esse. É algo que vai além do que as minhas palavras podem descrever. É sublime, e essa é a palavra com mais intensidade que eu conheço. O fim faz a história ser completa. 

Se este livro fosse uma peça de teatro, ao término estaria com lágrimas nos olhos, aplaudindo de pé a experiência que eu acabara de presenciar. Sublime.