Menu

15 de agosto de 2014

Eu sou Proibida, de Anouk Markovits

Autora: Anouk Markovits
Páginas: 264
Ano: 2014
Editora: Companhia das Letras

SINOPSE: Na Transilvânia, em 1939, o pequeno Josef Liechtenstein presencia o assassinato de sua família pela Guarda de Ferro Romena e é salvo por uma empregada gentia, que o cria como se fosse seu filho. Passados mais cinco anos, Josef salva Mila quando os pais da menina são mortos, e a ajuda a chegar à casa de Zalman Stern, um líder da comunidade Satmar que a partir de então a cria como irmã de sua filha mais velha, Atara. À medida que as duas amadurecem, a fé de Mila se intensifica, ao passo que sua irmã descobre um mundo de livros e aprendizagem que não consegue ignorar. Com a ascensão do comunismo na Europa Central, a família muda-se para Paris, onde Zalman tenta criar seus filhos, mantendo-os reclusos da cidade. As escolhas acabam levando as irmãs para caminhos opostos. Partindo da zona rural da Europa Central pouco antes da Segunda Guerra, passando por Paris e chegando a Williamsburg, no Brooklyn dos dias de hoje, Eu sou proibida dá vida a quatro gerações de uma família chassídica. Uma trama aliciante e arrebatadora que revela o que acontece quando amor resoluto, fé inquebrantável e séculos de tradição entram em conflito.

Vou contar pra vocês: terminar o livro para mim foi difícil. Não por ele ser ruim, que de fato não é, mas o problema é que é um livro bastante pesado de ler, no sentido de bastante informação nova, de coisas que não estou acostumado. Cogitei abandoná-lo, mas fui firme, persisti na leitura e de certa forma não me arrependo.

Em Eu sou proibida temos uma narrativa bastante densa que conta a história, principalmente, de Mila, uma órfã em que vai morar na casa de um líder chassídico, Zalman Stern, e que é criada como se fosse a irmã legítima de Atara, filha de Zalman e sua esposa Hannah. Então, a família se mudam para a França, e o rumo que a história e as decisões que os personagens tomam vez ou outra são inacreditáveis e surpreendentes, dentro de uma cultura totalmente distinta da qual estamos acostumados. A impressão que tive é de que a autora passou para o papel a dura realidade de algumas moças judias, que não querem seguir essa rigidez da religião, e sim seguir em frente com a vida bem como pretendem seguir, como querem, serem livres. O livro mostra que “o certo seria a mulher ficar em casa limpando e aprendendo domesticidade, enquanto o homem aprenderia toda a Torá e basearia todos seus estudos e pesquisas sobre Isso.” Mas nem sempre é o que acontece, e quando não acontece dessa forma, Yemach Shemeah – Que seu nome seja apagado, ou seja, a mulher passa a ser vista de uma forma diferente, seu nome torna-se “proibido” e ela é “excluída”.
 “Ela adorava sentir-se como um mero floco naquela imensidão. Os sinos tocaram a hora, então a hora encheu-se de silêncio e ela se encheu de saudade; deveria Paris ser uma mera estação de passagem em suas perambulações? Se Paris tinha um lar em seu coração, não poderia ela ter um lar em Paris?” — página 89.
A narrativa de Markovits é sobre uma história dura, triste e melancólica, baseada na vida da própria autora. No começo fiquei meio perdido com tantos termos novos, e por isso a cogitação em quase abandonar; parecia que eu lia, lia, lia e não saia do lugar. De vez em quando eu tinha que ler duas, três vezes o mesmo trecho para conseguir assimilar a ideia que a autora gostaria de passar. Mas isso foram as primeiras 80 páginas, mais ou menos. Depois disso, consegui me acostumar, de certa forma, com as novas palavras e a narrativa fluiu.

Não tenho como reclamar da edição da Cia, todos os livros da editora são muito bem traduzidos e revisados. No final deste livro há um glossário, para ajudar a entender as palavras em hebraico e iídiche. Não sei se eu li o livro em maus tempos ou o livro não satisfez minhas expectativas ou ainda eu não tive certa maturidade para lê-lo. Mas já vou dizendo: não são todos que vão gostar desta obra – SIM! O livro é uma obra única em que a autora pesa dois lados em uma balança: o que é mais importante, seguir uma religião à risca e satisfazer os costumes para a família não ser mau vista diante à comunidade ou ser livre para fazer suas próprias escolhas e almejar a felicidade? É um livro a ser pensado sobre as escolhas a serem tomadas, ainda mais em uma religião de extrema rigidez que o judaísmo ortodoxo é.

Sabem de uma coisa? Eu sou probida pode enganar muita gente. Pela capa e título, muitos se deixam levar por parecer um livro hot. Entretanto, de hot não tem nada. A história é de certa forma dolorosa, rica e silenciosa do seu modo, muito bem contada de uma cultura totalmente diferente, enriquecendo nosso conhecimento de uma forma bela e ferrenha.


28 comentários:

  1. O título e a capa me chamaram a atenção, e após ler a sinopse a sua resenha, tenho certeza que quero lê-lo. Eu amo esse tipo de livro, quer aborda uma época diferente e uma cultura diferente, e até um pouco de religião. São livros que parecem tão reais, fogem da fantasia sem precisar daquele clichê romântico. Já li vários do tipo, e vou acrescentar esse na lista.

    http://desfocandoideias.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Oieee Matheus, pela sua resenha eu já tive dificuldades imagina com o livro ? Acho que a grande questão é o que você falou mesmo, acompanhar uma história com tantos fatos e acontecimentos desconhecidos.
    Esse tipo de leitura é para as pessoas que gostam de conhecer mais de outras culturas e dificuldades encontradas, não é meu caso..Mas gostei do seu questionamento..O que vale mais a pena ? Seguir uma religião a risca, só para manter a aparência e "diginidade" da família ou aprender viver e pensar livremente. Essas religiões são tão complexas e na maioria das vezes extremamente criticadas por esse motivo, mas não vivemos entre eles para saber o que é importante para essas pessoas..

    ResponderExcluir
  3. OI, eu leio o seu blog, Acho mto interessante! Tb tenho um blog, gostaria que vc desse uma olhada, é bem novinho ainda :) http://livroarbitriodotco.wordpress.com/

    ResponderExcluir
  4. Oi, Matheus! Quando vi a capa desse livro, tive uma ideia diferente também, mas lendo a sua resenha percebi que não era nada do que eu tinha pensado. Conheço um pouco do judaísmo, mas teria dúvidas a respeito da história, pois nunca li nenhum romance que abordasse o abandono da religião. Parabéns pela resenha!

    Letícia Valle
    Litteratura Mundi

    ResponderExcluir
  5. Oi Matheus ^_^
    Então, pela capa eu achei que fosse um romance erótico mesmo, mas quando terminei de ler a sinopse e li sua resenha me assustei um pouco. A temática é pesada e isso é algo que, desde já, me admira a autora ter tido a coragem de abordar.
    Não consigo entender pq as religiões têm essas crenças ridículas. Vejo somente como amarras para não nos desenvolvermos de forma plena. Se o Deus é tão rigoroso assim então prefiro não ter um.
    Desejo muito saber o que acontece com Mila e quais foram as suas escolhas, no final.
    Parabéns pela resenha, Matheus. Vc me fez desejar esse livro. ^_^

    ResponderExcluir
  6. Acho que você não leu o livro em maus tempos, eu li outra resenha e a pessoa também achou o livro bem pesado. Talvez seja mais para quem quer saber sobre a cultura chassídica, né?
    Também quando vi a capa e o título pela primeira vez achei que era um livro hot.
    Abraços!

    ResponderExcluir
  7. Eu realmente não gostei da história, pois os conteúdos abordados não me interessam a ponto de ir buscar mais sobre isso, entretanto, gostei da capa do livro e do nome. Não acho que leria o livro nem se eu ganhasse de presente, penso eu, mas não posso afirmar porque meu gosto para gêneros muda de uma hora para outra.

    ResponderExcluir
  8. Nossa, pela sua resenha é uma historia realmente que impacta, é meio : THANDHAAAAAAAAAAN!, de verdade? Não sei se leria, quer dizer leria se eu ganhasse heuheu, mas não compraria, tenho 13 anos e já li de tudo, TUDO, desde Chapeuzinho Vermelho á Cinquenta Tons De Cinza, e meu genero predileto é o policial/suspense/romance, sei nem se existe mas é o meu predileto, quer dizer, eu amoo ler, amo livros, então qualquer livro é um tesouro para mim, mas para uma pessoa de tão pouca idade como eu que já li tudo que é livro nessa vida, esse realmente me assustou!
    Um livro como esse é bom para quem quer, realmente, saber de outras culturas e tudo mais!
    Reconheço que nunca ouvi falar desse livro e tals, mas amei o nome, bem criativo, a CDL arrasou nessa capa, e claro adorei a resenha, não lembro se já tinha lido alguma resenha sua Mateus, mas adore a sua escrita!
    Xoxos

    ResponderExcluir
  9. Confesso que livros assim não me chamam muita atenção. O tema é bem interessante, mas não sou fã de tramas densas e com muitas informações. Mas te dou os parabéns por ter persistido na leitura. Não sei se conseguiria, pois, precisar de 80 páginas pra ir se acostumando com a escrita é muito.

    @_Dom_Dom

    ResponderExcluir
  10. Uau, que resenha maravilhosa!!

    Acho que para ler esse livro, teria de estar numa fase muito boa e tranquila, para aguentar um livro tão denso assim.
    Beijo

    http://blog-planetpink.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  11. O livro realmente parece um pouco denso, mas acho que a persistência deve valer a pena mesmo.
    A história deve ser bem intimista, cheia de questões desconhecidas pela nossa cultura e ao mesmo tempo, bem voltado para o que a personagem passou com ser humano.
    Gosto de tramas assim e acho que posso gostar do livro.
    Quem sabe um dia.
    bjs

    ResponderExcluir
  12. Já havia lido algumas resenhas sobre esse livro e pude ver que realmente não é um livro que agrada a maioria das pessoas, fato que não exclui a qualidade da obra, que aborda um tema denso e que pede muito comprometimento do leitor com a leitura, afinal a autora insere várias palavras que não é do nosso conhecimento, mesmo com grandes chances de não gostar da leitura é uma que quero fazer, para descobrir mais sobre o universo do judaísmo e do papel da mulher dentro dessa religião, acho que ainda não é o momento certo para isso, em breve pretendo ler e ver qual são as decisões que os personagens tomam com suas vidas, de toda forma a mesma a história deve ser válida.

    ResponderExcluir
  13. É como você falou, o livro tem aparência de hot, mas acaba apresentando para o leitor um universo completamente diferente. É a velha história do "Julgando pela capa!" mas fiquei surpresa pela resenha e por não ser uma leitura fácil! Acho que vou adicionar nas minhas futuras leituras e ver no que vai dar.

    Hey You My Friend

    ResponderExcluir
  14. Você disse que pela capa e pelo título as pessoas poderiam ser enganadas, mas comigo não foi assim. Quando vi a capa, já pensei em algo mais melancólico, como o livro é. Não sou fã de uma leitura densa e com termos complicados que empacam a leitura pelo simples motivo de que desisto facilmente. Então, eu passo essa leitura :/

    ResponderExcluir
  15. Não me interessei muito em conferir o livro, pode até ser que esteja perdendo uma boa leitura, mas fico só com a sua excelente resenha no momento!

    ResponderExcluir
  16. Nunca tinha ouvido falar do livro, parece ser um livro interessante, mas ainda assim não tenho interesse em ler.

    ResponderExcluir
  17. Já tinha ouvido falar sobre esse livro..e lendo a resenha fiquei com mais vontade de ler...confesso que não curti mt a capa..mas nesse caso não iria julgar o livro por ela =P

    http://instagram.com/annezinhaviana

    ResponderExcluir
  18. Bem, talvez não chegue a ler esse livro. Não é muito o estilo das minhas leituras e não foi uma história que me chamou tanta atenção. Mas parabéns pela resenha e por ter concluído essa leitura..ks

    Abraços!!
    http://macaliteraria.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  19. Olha, julgando pela capa, NUNCA que você imagina que o livro tenha essa premissa. Achei legal a história em si, das meninas quererem se "libertar" da religião, de mostrar no que isso dará. Pena que o livro é denso, acho que é um ponto que não combina comigo. Geralmente empaco em narrativas densas, como acontece com minha leitura atual. AH, ótima resenha ;)

    Italo

    ResponderExcluir
  20. Cara, sinceramente, para mim, a capa não é atrativa. Nem o título, uma vez que não me fez ter vontade de ler. Maaaaas a sinopse já é bem interessante. Tenho a sensação de que gostarei desse livro, então vou colocar na minha lista de leitura. A resenha ficou ótima. Realmente, alguns livros são mais complicados que outros para se ler, mas vou dar uma chance pra esse. *u*

    ResponderExcluir
  21. A capa engana mesmo, muito mesmo. Não tinha lido resenha nenhuma desse livro e me despertou algo, eu gosto de livros mais densos, com uma pegada mais dramática, triste mesmo. Eu sou 'conhecida' por gostar de histórias tristes, seja livros, músicas ou filmes.
    Vou dar uma procurada nesse livro, acho que vou gostar.

    ResponderExcluir
  22. Acho que esse tipo de livro é aquele que vou ler e ter uma ressaca literária enorme, chorar rios, etc.
    Eu não gostei muuuuito dessa capa :( Não achei que fosse hot nem nada desse tipo.
    Já conhecia esse livro e estou pensando em lê-lo... O problema é que, por ter várias informações novas a todo momento, vou demorar bastante para ler e to com medinho de abandonar no finzinho :(

    Jú Charan
    www.ganheiumlivro,blogspot.com

    ResponderExcluir
  23. Interessante...eu ia morrer sem saber da existência desse livro...
    Gosto de histórias que saem do lugar e do assunto comum. Lembro que quando li A Cidade do Sol, que retratava a dura realidade da mulher Afegã, eu fiquei muito impressionada com a narrativa e com as informações que o autor apresentava no livro. Acredito que esse livro, por retratar a vida de uma judia, vá causar o mesmo sentimento que tive lendo A Cidade do Sol. Vou procurar saber mais sobre esse livro. Obrigada pela dica!
    =)

    http://perdidasnabiblioteca.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  24. Eu super julguei o livro como hot mesmo e por esse motivo, jamais leria-o. Ainda bem que vim aqui ler sua resenha, pq eu simplesmente amei a premissa do livro. Senti que tem um quê histórico e eu amo livros históricos, livros sobre os oprimidos e livros baseados em fatos reais. Tbm gosto bastante de aprender sobre outras culturas e creio que essa obra seja ideal.

    Mesmo vc nao tendo gostado, eu creio que curtirei bastante por todos os pontos que vc destacou (até os que vc achou ruins, pra mim, penso que sao exatamente os que me farao gostar :D)

    ResponderExcluir
  25. Oi, tudo bem?

    Não conhecia a história! Eu gosto de livros leves, mas reconheço que alguns livros mais densos têm o seu espaço e esse parece ser um deles. Eu acho que também ficaria um pouco perdida com as novas palavras, tendo que recorrer ao glossário e isso "segura" um pouco a leitura. Mas fiquei curiosa!

    Beijos,

    Mari
    cantinhodeleituradamari.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  26. Olá... Não imaginei que fosse hot, mas não achei que fosse um livro de leitura mais densa. Não sei bem se eh um livro que eu gostaria dele por isso só ganhando mesmo pra eu dar uma chance.. Quem sabe ne

    http://foreverabookaholic.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  27. Confesso que não gostei dessa capa, mas gostei do enredo, é um livro bem denso, espero poder ler em breve .

    ResponderExcluir